Cuidado com pragas quarentenárias exige atenção na safra de verão
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Leiteiro (Euphorbia heterophylla) é uma das pragas quarentenárias identificadas na região atendida pela Capal
A presença de pragas quarentenárias nas lavouras e nas cargas entregues à cooperativa é um tema que exige atenção dos produtores nesta safra de verão. Essas espécies podem causar prejuízos à produção e gerar impactos severos na comercialização dos grãos, especialmente em mercados que possuem exigências sanitárias mais rigorosas.
De acordo com Roberto Martins, coordenador regional do Departamento de Assistência Técnica da Capal, a prevenção começa ainda no campo. “Pragas quarentenárias são ameaças que podem causar grandes prejuízos e restrições comerciais, por isso o monitoramento da lavoura e o uso de ferramentas e manejos com visão de todo o sistema produtivo através de uma assistência técnica especializada e qualificada são fundamentais”, explica.
Entre os principais riscos estão algumas plantas consideradas quarentenárias. “Dentre elas destacamos as plantas daninhas, pois podem se espalhar rapidamente, reduzir a produtividade e aumentar os custos de produção. Por isso, o controle preventivo e a vigilância fitossanitária são essenciais para proteger as lavouras”, afirma. Segundo Martins, o acompanhamento da equipe de Assistência Ténica da Capal e o planejamento da safra são decisivos para evitar problemas. “Ter uma assistência técnica qualificada e um planejamento de safra é fundamental para prevenir pragas quarentenárias, porque profissionais capacitados monitoram a lavoura, identificam problemas rapidamente e orientam o produtor sobre as melhores práticas de manejo, protegendo a produção agrícola e evitando grandes prejuízos, além do uso de insumos de qualidade, como sementes certificadas ou fiscalizadas”.
Controle também acontece na recepção dos grãos
O monitoramento continua no momento da entrega da produção nas unidades da cooperativa. Conforme explica Carlos Faria, coordenador de Operações de Grãos da Capal, todas as cargas passam por classificação e verificação. “Quando a carga chega na cooperativa, a gente faz a classificação e a verificação para identificar se existe presença de sementes que são consideradas como quarentenárias”, relata.
Caso alguma seja identificada, a informação é registrada no romaneio, garantindo a rastreabilidade da produção e permitindo identificar de qual área e de qual cooperado veio aquela carga.
A partir desse registro, a assistência técnica entra em contato com o produtor para orientar as medidas necessárias na lavoura, evitando que o problema volte a ocorrer. Na operação da unidade, também são adotados procedimentos específicos. “A primeira medida é fazer a segregação das cargas, destinando as que estão contaminadas com sementes quarentenadas para silos específicos”, explica Faria. “A segunda é realizar uma limpeza mais intensa no processo de beneficiamento, utilizando peneiras com furação maior e, dependendo do percentual de contaminação, pode ser necessário reduzir a carga na máquina para assegurar que sejam retiradas todas essas sementes”.
Essas medidas ajudam a evitar que as sementes se misturem a outros lotes de grãos dentro da unidade. No entanto, também impactam o ritmo da operação.
“Essas atividades demandam mais tempo de operação e podem aumentar o tempo de espera para as descargas dos caminhões que estão vindo do campo”, afirma o coordenador. Além disso, quando é necessário realizar limpezas adicionais ou reduzir o processamento, os custos operacionais da unidade também aumentam.
Outro efeito possível é a perda de parte do material durante o processo de limpeza. “Quando identificamos a presença dessas sementes quarentenárias, precisamos fazer uma operação de limpeza mais intensa, utilizando peneiras com furação maior, o que pode acabar retirando junto pequenas frações de grãos bons que são direcionadas para o fluxo de impurezas”, explica Faria.
Impactos também chegam ao mercado
Além dos efeitos operacionais, as pragas quarentenárias podem afetar diretamente a comercialização dos grãos. Segundo Carlos Veiga, analista de mercado da Capal, isso ocorre porque muitos países importadores exigem que os produtos estejam livres dessas pragas.
“Levando em consideração que a paridade de exportação possui grande relevância na precificação dos grãos produzidos pelos nossos cooperados, é importante ressaltar o
impacto causado quando o produto exportado não atende às medidas sanitárias e fitossanitárias dos países importadores”, explica. Nesses casos, a referência de preço pode se perder, prejudicando a relação entre oferta e demanda e influenciando negativamente na comercialização.
Para atender às exigências internacionais, os carregamentos passam por certificação oficial. A documentação emitida pelo Ministério da Agricultura declara que o lote foi inspecionado e está livre de pragas quarentenárias, além de apresentar informações de rastreabilidade e identificação do exportador.
Quando o problema é identificado apenas no destino, as consequências podem ser significativas. “A presença de pragas pode acabar sendo constatada apenas no destino, causando custos logísticos, penalizações ou descontos e até mesmo rejeição de navios e contêineres”, afirma Veiga.
Manejo no campo é a principal prevenção
Diante desse cenário, o cuidado no campo continua sendo o principal aliado para evitar problemas. Em algumas áreas da região, por exemplo, técnicos da Capal têm alertado para o surgimento de plantas daninhas quarentenárias como o leiteiro, a corda de viola, entre outras, que têm sido identificadas na região de atuação, e cuja presença pode representar risco para cargas destinadas à exportação.
Por isso, a recomendação da cooperativa é que o produtor mantenha o monitoramento constante das lavouras e, ao identificar qualquer suspeita, procure imediatamente o agrônomo responsável pela área. O manejo correto e o acompanhamento técnico são essenciais para proteger a produção, preservar a qualidade dos grãos e garantir o acesso da cooperativa aos mercados.