Mês do Leitão: Diarreias em leitões de maternidade são o grande desafio para alcançar um ótimo peso de desmame
voltarAs diarreias em leitões de maternidade são uma das principais causas de mortalidade e perdas produtivas pela redução do potencial de um bom peso ao desmame. Os principais sinais clínicos incluem fezes líquidas de coloração variável (branca, amarelada ou acinzentada), desidratação, apatia, fraqueza e redução no ganho de peso. Em situações mais graves, pode ocorrer morte rápida, especialmente quando não há intervenção adequada e imediata. As diarreias podem ter origem infecciosa ou não infecciosa.
Nos primeiros dias de vida, até aproximadamente 3 dias de idade, o principal agente infeccioso envolvido é a bactéria Escherichia coli enterotoxigênica, além de Clostridium perfringens tipos C e A, que podem causar quadros mais severos e com alta mortalidade. Entre 4 e 7 dias de idade, ainda há forte participação de E. coli e Clostridium perfringens tipo A, com início de ocorrência de rotavírus. Já em leitões com mais de 7 dias até o desmame, além do rotavírus, destaca-se a presença de Isospora suis (coccidiose), que normalmente causa diarreia de aspecto pastoso e coloração amarelada, sendo comum a ocorrência de coinfecções.
O tratamento deve ser realizado de forma rápida e direcionada conforme a causa. Em casos bacterianos, como os causados por E. coli e Clostridium, utiliza-se antibióticos adequados sob orientação técnica. Para coccidiose, é indicado o uso preventivo de anticoccidianos. Além disso, a reposição hídrica com água e eletrólitos é essencial para evitar a desidratação, sendo também importante garantir ambiente aquecido e condições que favoreçam a continuidade da amamentação.
A prevenção é a medida mais eficaz no controle das diarreias em maternidade. O adequado manejo do colostro, garantindo que todos os leitões mamem nas primeiras horas de vida, é um dos pontos mais críticos, pois garante a imunidade inicial dos leitões. A vacinação das matrizes contra E. coli, Clostridium e Rotavírus contribui significativamente para a transferência dessa imunidade passiva aos leitões.
A ingestão adequada de ração pela matriz no pré e pós-parto impacta diretamente a produção e a qualidade do colostro e do leite. Fêmeas com baixo consumo produzem menos leite, e leitões que não ingerem colostro e leite suficiente tornam-se mais suscetíveis a diarreias por agentes infecciosos e por causas não infecciosas.
Além disso, é fundamental manter rigorosos padrões de higiene, com limpeza com detergente e desinfecção das instalações, higienização de equipamentos, adoção de vazio sanitário entre lotes, controle de pragas (moscas), proibição da entrada de outros animais domésticos e controle de acesso de pessoas às áreas de produção. Recomenda-se a não transferência de leitões com diarreia para outras leitegadas não afetadas a fim de reduzir a disseminação.
O manejo ambiental também exerce grande influência, sendo necessário manter temperatura adequada, evitar correntes de ar e garantir ambiente seco. O frio faz com que os leitões reduzam a ingestão de leite e percam energia para manutenção da temperatura corporal, predispondo a diarreias. Assim como o excesso de calor também pode reduzir o consumo da fêmea, afetando a produção de leite. Práticas como a uniformização correta das leitegadas e a aplicação preventiva de anticoccidianos na idade adequada (3º dia de vida) também auxiliam no controle.
Dessa forma, as diarreias em leitões de maternidade devem ser encaradas como um problema multifatorial, que exige atenção constante. Embora o tratamento seja importante, o sucesso na redução das perdas está diretamente ligado à prevenção, por meio de bom manejo, biosseguridade e adequada imunização das matrizes.